O uso de larvicidas em água potável é seguro?

Cynthia Molina Bastos, Otávio Pereira D'Avila, Roberto Nunes Umpierre, Marcelo Rodrigues Gonçalves, Lavínia Schuler Faccini, Erno Harzheim

Resumo


Provavelmente sim. Não existem evidências que comprovem a segurança do uso de larvicidas em água potável. Entretanto, os poucos estudos que existem avaliando o efeito em população de mamíferos, assim como as avaliações de biodisponibilidades e citotoxicidade, demonstram que em baixa concentração são seguros e não há efeitos carcinogênicos ou genotóxico. Os larvicidas avaliados e autorizados para uso em água potável pela Organização Mundial de Saúde, destinada para consumo humano são: DIFLUBENZUROM, METOPRENO, NOVALUROM, Pirimifós/, PIRIPROXIFEM, ESPINOSADE, TEMEFÓS, além do Bacillus thuringiensis israelensis (BTI). Recomenda-se sempre usar a dose correta dos larvicidas. O temephós é utilizado para tratamento de focos, mas não deve ser utilizado em aquários com peixes. Aprovado para uso em água de consumo humano. O pyriproxyfen é um éter e não há evidências que comprovem que cause dano em fetos de mamíferos. BTI é recomendado como larvicida para uso em saúde pública, é uma bactéria que em contato com a água libera substâncias tóxicas para as larvas de alguns insetos. A aplicação deverá ser realizada por profissional treinado. O BTI não apresenta ingesta diária aceitável, entretanto a orientação de uso deve ser de 1-5mg/litro. A avaliação de substâncias químicas de qualquer natureza sempre deve salientar a possibilidade de bioacumulação. As substâncias que não são biodegradadas, são biopersistentes e mantêm-se em altas quantidades nos tecidos dos seres vivos. Portanto, mesmo que as substâncias não sejam para consumo humano direto a avaliação do seu uso na agricultura, leito de rio e pastos deve ser avaliada criteriosamente.


Palavras-chave


Larvicidas. Microcefalia. Aedes. Saúde Pública.

Texto completo:

PDF/A

Referências


World Health Organization. Guidelines for drinking-water quality. 4th ed. Geneva: World Health Organization; 2011. 564p.

Yapabandara AM, Curtis CF, Wickramasinghe MB, Fernando WP. Control of malaria vectors with the insect growth regulator pyriproxyfen in a gem-mining area in Sri Lanka. Acta Trop. 2001;80(3):265-76. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0001-706X(01)00178-4

Lasneaux MV. O uso de inseticidas na saúde pública: uma crítica ao modelo de combate à dengue no Brasil e no DF [Dissertação de mestrado]. Brasília: Universidade de Brasília; 2013. 113f.

Food and Agriculture Organization of the United Nations. The Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues (JMPR) [internet]. Roma; 2015 [Citado 16 Fev 2016]. Disponível em: http://www.fao.org/agriculture/crops/thematic-sitemap/theme/pests/jmpr/en/

Brasil. Ministério da Saúde. Avaliação da eficácia de análogos de hormônio juvenil e inibidores da síntese de quitina no controle de Aedes aegypti. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.

Abe FR. Avaliação ecotoxicológica e risco ambiental dos inseticidas utilizados no controle da larva de Aedes aegypti para Daphnia magna, Lemna minor e peixes [dissertação]. Jaboticabal (SP): Centro de Aquicultura, Universidade Estadual Paulista; 2012 [Citado 16 Fev 2016]. Disponível em: http://acervodigital.unesp.br/handle/unesp/171802

Governo do Estado de Santa Catarina. Secretaria de Estado da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Orientações para uso do larvicida Pyriproxyfen 0,5G no programa de controle da dengue em Santa Catarina [internet]. Florianópolis: SES; 2014 [Citado 23 Fev 2016]. Disponível em: http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/zoonoses/publicacoes/Orientacao%20Tecnica%20Pyriproxyfen.pdf

Koyama Y, Kimura J, Yoshioka K, Watanabe T, Seki T, Hosokawa S, et al. A six-month chronic dietary toxicity study of pyriproxyfen in rats. J Toxicol Sci. 1989;14(1):43-64. DOI: http://dx.doi.org/10.2131/jts.14.43

Bayoumi AE, Pérez-Pertejo Y, Zidan HZ, Balaña-Fouce R, Ordóñez C, Ordóñez D. Cytotoxic effects of two antimolting insecticides in mammalian CHO-K1 cells. Ecotoxicol Environ Saf. 2003;55(1):19-23. PMID: 12706389 DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0147-6513(02)00068-4

Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Dengue instruções para pessoal de combate ao vetor. Manual de Normas Técnicas. Brasília: Ministério da Saúde; 2001 [Citado 23 Fev 2016]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/man_dengue.pdf




DOI: https://doi.org/10.5712/rbmfc11(38)1300

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2016 Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia