Oficina de saúde e sexualidade: Residentes de saúde promovendo educação sexual entre adolescentes de escola pública

  • Iago Gonçalves Ferreira Médico residente em Medicina de Família e Comunidade na Escola de Saúde Pública de Florianópolis. https://orcid.org/0000-0002-4695-1982
  • Marina Piazza Enfermeira residente multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis.
  • Deyse Souza Assistente Social residente multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis.
Palavras-chave: Especialização, Internato e Residência, Sexualidade, Adolescente

Resumo

Objetivo: Relatar a experiência da implementação de oficinas de saúde e sexualidade por residentes de saúde da família com adolescentes do 8º ano de uma escola pública em Florianópolis. Relato de experiência: As oficinas foram organizadas sob a forma de encontros mensais, com turmas do 8º ano dos períodos matutino e vespertino, da Escola de Ensino Básico Hilda Teodoro, situada no bairro da Trindade, em Florianópolis, entre os meses de março a dezembro de 2017. Os encontros eram realizados em pequenos grupos, com 16 alunos por turma, dispostos em roda de maneira a permitir a interação e participação de todos os membros, tendo duração de 45 a 90 minutos. Durante os encontros, eram realizadas palestras, dinâmicas e rodas de conversa, estimulando a reflexão, debate e conscientização dos adolescentes acerca da importância de temas como: gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, orientação sexual e identidade de gênero, machismo, métodos anticoncepcionais e anatomia dos órgãos reprodutivos. Discussão: Por meio da experiência, notou-se participação ativa e ricas contribuições por parte dos adolescentes, principalmente das meninas, evidenciando interesse considerável sobre a temática da sexualidade, principalmente a gravidez na adolescência e os métodos contraceptivos. Os discursos e pontos de vista ressaltaram as mudanças em curso na sociedade brasileira, em direção à igualdade de gênero e empoderamento feminino. Conclusão: As oficinas de saúde e sexualidade desenvolvidas pelos residentes de medicina de família e comunidade e saúde da família representaram uma oportunidade ímpar de interação entre os programas de residência, as equipes de Estratégia de Saúde da Família e a comunidade, utilizando o cenário escolar como ferramenta para a promoção de saúde e empoderamento social.

Biografia do Autor

Iago Gonçalves Ferreira, Médico residente em Medicina de Família e Comunidade na Escola de Saúde Pública de Florianópolis.

Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (2016). 

Graduação Sanduíche em Promoção de Saúde no Waterford Institute of Technology (2014-2015).

Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade na Escola de Saúde Pública de Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (2017-2019).

Marina Piazza, Enfermeira residente multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis.

Graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Residência Multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. 

Deyse Souza, Assistente Social residente multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis.

Graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Residência Multiprofissional em Saúde da Família na Escola de Saúde Pública de Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. 

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DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-73722005000300022

Publicado
2019-03-06
Seção
Especial Diversidade e Direitos Humanos na APS