Saúde e marginalização social: suprimindo falhas curriculares

  • Mariana Franco Ribeiro de Oliveira Universidade Positivo, Curitiba-PR
  • João Lucas Cruz Castanho Universidade Positivo, Curitiba-PR
  • Rodrigo Santos Custódio Oliveira Universidade Positivo, Curitiba-PR
Palavras-chave: Marginalização Social, Educação Médica, Humanização da Assistência

Resumo

Objetivos: Ampliar a compreensão dos estudantes da saúde em relação à dinâmica social que leva à marginalização, suas particularidades clínicas e políticas públicas existentes, discutindo qual o seu papel na mudança da realidade exposta. Método: Realizou-se um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, tendo como foco central o Curso de extensão “Saúde e Marginalização Social: expandindo perspectivas” de uma Universidade de Curitiba. O curso, com duração anual, apresentava-se com encontros mensais para discussão dos temas: o sentido da saúde e a influência da marginalização social, saúde das populações negra, indígena, LGB e TRANS, profissionais do sexo, em situação de rua e saúde mental. Em espaços organizados por alunos do curso de Medicina e supervisão docente, os convidados, pertencentes às populações em discussão, ou envolvidos em políticas públicas, demonstraram suas visões e sofrimentos e se relacionaram com a plateia, por meio de recortes históricos, relatos de vivência e descrição das dificuldades e perspectivas dentro da medicina. Resultados: Os espaços apresentaram grande adesão de estudantes, de variados cursos; houve relatos de surpresa e a afirmação de que nunca haviam presenciado esses temas em sala de aula. A maioria relatou elucidação nestas questões e a possibilidade de aplicação clínica dos conteúdos para humanização das suas práticas em saúde. Conclusão: Faz-se necessária a inclusão do tema Populações Marginalizadas nas ementas dos cursos da saúde, a fim de que as discussões representem mudanças no perfil do médico formado, seguindo as competências definidas nas DCNs e no cuidado, agora integral, ofertado aos pacientes.

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Biografia do Autor

Mariana Franco Ribeiro de Oliveira, Universidade Positivo, Curitiba-PR
Médica, pela PUCPR, em 2009. Residência em Medicina de Família e Comunidade, pela PUCPR, em 2012. Especialização em preceptoria de Residência Médica, pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Mestranda em Educação em Ciências da Saúde, pelas Faculdades Pequeno Príncipe. Professora da Universidade Positivo, das disciplinas de Saúde Coletiva I e internato de Medicina Geral de Família e Comunidade, desde 2014. Coordenadora do curso de extensão Marginalização Social e Saúde: expandindo perspectivas, da UP.
João Lucas Cruz Castanho, Universidade Positivo, Curitiba-PR
Acadêmico do quinto ano do curso de medicina da Universidade Positivo. Dedicado ao movimento estudantil, atuando ativamente na representação dos estudantes junto ao Centro Acadêmico Zilda Arns, órgão de representação estudantil local. Executor de projetos que primam a saúde das populações negligenciadas socialmente, principalmente no campo da diversidade e promoção da saúde sexual, dentro e fora da comunidade acadêmica. Aspirante à professor, com grande interesse na área de educação, desenvolvendo projetos que objetivam a complementação curricular na formação médica. Com olhar voltado ao conhecimento popular, nas etnofarmácias, fitoterapia e outras formas terapêuticas consideradas alternativas. Ascendente a poeta, escritor tímido com admiração à medicina baseada em narrativas.
Rodrigo Santos Custódio Oliveira, Universidade Positivo, Curitiba-PR
Graduando em Medicina pela Universidade Positivo, a graduar em 2019. Coordenador discente do Projeto de Extensão Saúde e Marginalização Social: expandindo perspectivas. É membro da Liga Acadêmica de Espiritualidades e Medicinas. Coordenou o Observatório de Marginalização Social e Saúde na Universidade Federal do Paraná (2016) e a Liga Acadêmica de Medicina de Família e Comunidade (2017). Militante dentro do movimento estudantil, atuou como vice-presidente do Centro Acadêmico Zilda Arns (2017). Tem interesse nas seguintes áreas: Medicina de família e comunidade, Antropologia da saúde e Educação em saúde.

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Publicado
2019-08-15
Como Citar
Franco Ribeiro de Oliveira, M., Cruz Castanho, J. L., & Santos Custódio Oliveira, R. (2019). Saúde e marginalização social: suprimindo falhas curriculares. Revista Brasileira De Medicina De Família E Comunidade, 14(41), 1793. https://doi.org/10.5712/rbmfc14(41)1793
Seção
Especial Diversidade e Direitos Humanos na APS