Referências médicas evitáveis em unidade de saúde de Porto Alegre

um estudo exploratório

Palavras-chave: Encaminhamento e Consulta, Atenção Primária à Saúde, Assistência à Saúde, Sistemas de Saúde, Organização e Administração, Medicina de Família e Comunidade.

Resumo

Introdução: A análise das referências médicas de pacientes da Atenção Primária à Saúde (APS) para especialidades focais traz questões relevantes para a formulação e administração de políticas do sistema de saúde. A detecção de encaminhamentos potencialmente evitáveis pode permitir um aprimoramento dos processos de trabalho, assim como otimizar a alocação de recursos. Objetivo: Descrever as referências secundárias geradas por médicos de uma Unidade de APS vinculada ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no ano de 2017, e construir critérios para classificá-las, discutindo sua evitabilidade. Métodos: Estudo descritivo-exploratório, baseado em documentação. Os dados foram obtidos no sistema GERCON® (Sistema de Gerenciamento de Consultas da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre/RS). Os encaminhamentos foram classificados conforme seu motivo e também conforme sua evitabilidade. Resultados: Foram gerados 799 encaminhamentos, a 110 especialidades médicas no período. Após a exclusão das especialidades de dermatologia e de pré-natal de alto risco (por mudança nos critérios e fluxos de encaminhamento, durante 2017), restaram 733 referenciamentos. Destes, 582 foram categorizados pelas pesquisadoras como não evitáveis e 151 como evitáveis. Os motivos de encaminhamentos predominantes foram: terapêuticas não disponíveis na APS (34%), recursos diagnósticos não disponíveis em APS (26,5%) e dúvida diagnóstica ou terapêutica (23,2%). Em relação à evitabilidade, foram identificados 20,6% de referenciamentos evitáveis, predominando aqueles que envolviam carência de conhecimentos/habilidades/ atitude do médico. Quanto aos encaminhamentos categorizados como não evitáveis (79,4%), predominaram aqueles efetivados por necessidade de conhecimentos/habilidades/procedimentos não próprios à APS. Conclusão: A construção de um conceito para referências evitáveis, a partir de estudos empíricos, pode enriquecer a gestão de serviços de APS, tendo em vista sua resolutividade. O presente estudo encontrou, nessa Unidade de APS, um baixo percentual de encaminhamentos potencialmente evitáveis.

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Biografia do Autor

Daniele Moi Trevisol, Médica de Família e Comunidade - Prefeitura Municipal de Florianópolis

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - 2010-2016

Residencia em Medicina de Família e Comunidade pelo Grupo Hospitlar Conceição - Serviço de Saúde Comunitária - 2017-2019

Médica de Família e Comunidade - Prefeitura Municipal de Florianópolis - 2019  

Graziela Melz, Médica de Família e Comunidade - Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - 2010-2016

Residencia em Medicina de Família e Comunidade pelo Grupo Hospitlar Conceição - Serviço de Saúde Comunitária - 2017-2019

Médica de Família e Comunidade - Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul - 2019  

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Publicado
2020-06-11
Como Citar
Moi Trevisol, D., Melz, G., Dias de Castro Filho, E., & Nascimento Fontanive, V. (2020). Referências médicas evitáveis em unidade de saúde de Porto Alegre : um estudo exploratório. Revista Brasileira De Medicina De Família E Comunidade, 15(42), 2129. https://doi.org/10.5712/rbmfc15(42)2129
Seção
Artigos de Pesquisa